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Reflexão

Diálogo: a arte do encontro

Por Dalissa Vieira Teixeira e Maria Luiza Rocha de Andrade

Uma das melhores coisas da vida é uma boa conversa, de preferência ao vivo!

Saber dialogar é sinal de maturidade, sabedoria e liberdade para expressar nossa humanidade. Na abertura para o diálogo, nos lançamos ao encontro com o outro e com o mundo. Mas, antes, o diálogo significa saber ouvir, pois a palavra primeira que nos chega é através desse sentido. Ouvir demonstra interesse genuíno pelas pessoas, um movimento de perguntar e esperar respostas, fazer reflexões no embalo do silêncio, evitar julgamentos apressados… Para ouvir verdadeiramente alguém, é preciso fazer uma pausa, “deixar de ter boca”, como dizia Rubem Alves, e estar aberto para o outro.

Nos consideramos comunicativos, escrevemos, falamos e somos até capazes de manter diversas conversas em paralelo, mas, apesar das aparências, parecemos ter esquecido como nos comunicar, no sentido mais amplo da palavra. Na maioria das vezes, os problemas relacionais são, na verdade, problemas de comunicação. Estaremos perdendo essa habilidade de troca, de semeadura de novos olhares e contextos comuns?

Existem modalidades de “diálogos” que na verdade são monólogos, em que ninguém ouve de verdade, pois os interlocutores estão muito ocupados pensando na própria fala. Estabelece-se um padrão que mais parece uma competição. Em vez de ouvir com entrega e atenção, permanecem condicionados a esperar por “sua vez de falar” ou apenas “rebater argumentos” de forma agressiva. Nesses exemplos NÃO HÁ ESCUTA; consequentemente, não haverá diálogo, uma vez que o diálogo aponta para uma interação entre dois ou mais indivíduos.

O diálogo é a verdadeira arte do encontro, da comunicação e da compreensão recíproca. E, por falar em encontro, disse Carl Gustav Jung: “o encontro de duas personalidades assemelha-se ao contato de duas substâncias químicas: se alguma reação ocorre, ambos sofrem uma transformação”. Entramos “lagartas” e saímos borboletas. Após uma conversa autêntica e acolhedora, não seremos mais os mesmos. Se há relação, afetamos e somos afetados pelo outro. Nesse caso, o diálogo poderá promover transformação e aprendizado.

Aprender, desenvolver e praticar a arte do diálogo facilita as interações e melhora os relacionamentos. O mundo fica muito mais interessante, tolerante e humano. É também a arte do silêncio para a compreensão, do relativismo para a empatia, da coragem para a autenticidade. A arte do diálogo é feita por ideias e verdades que se deixam tocar sem qualquer medo de mudança. Somos seres relacionais, portanto, necessitamos de uma comunicação mais limpa de ruídos, mais clara e autêntica.

“A maioria das pessoas imagina que o mais importante no diálogo é a palavra. Engano: o importante é a pausa. É na pausa que duas pessoas se entendem e entram em comunhão.” — Nelson Rodrigues

Escrito por

Dalissa Vieira Teixeira e Maria Luiza Rocha de Andrade

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